segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Uma desculpa para falar bem da Blitz

e sem "preconceitos, dogmas, dobermanns, dálmatas, pointer..."


Liderada pelo cantor, compositor e violonista Fernando Anitelli, a atual febre musical dos universitários paulistas, em especial entre os estudantes de comunicação, é a trupe do Teatro Mágico. Vestidos de palhaços e de uma atmosfera lúdica e poética, os 16 músicos, apesar de não contarem com alta exposição na mídia radiofônica ou televisiva, são amplamente conhecidos – amados e odiados. Aos amantes incondicionais, fala alto a “atmosfera lúdica e poética”. Aos detratores ferrenhos, soa mais forte a “palhaçada”, em seu sentido mais depreciativo.

Façamos uma abrupta volta no tempo: 21 de fevereiro de 1981.

Liderada pelo cantor, compositor e ator Evandro Mesquita, a Blitz inaugurou o bar Caribe - e a si própria -, em São Conrado (RJ), para tornar-se um dos maiores fenômenos fonográficos já vistos no Brasil. Assustando a platéia que, no breu total, foi alvejada por rajadas de lanternas inquisitoras – alusão óbvia ao nome do conjunto -, os músicos rasgaram o lugar e subiram ao palco.

Vamos agora às semelhanças e diferenças.

A chave de semelhanças está no nome dos Mágicos: Teatro. A eles, a indumentária e o próprio nome de batismo, com as vestes explícitas dos shows, nas maquiagens e fantasias – tanto as figurativas, quanto as concretas. Canções repletas de amorosidade, metáforas e anseios poéticos, namorando assim com o mundo dos sonhos circenses.

Aos cariocas da Blitz, um teatro diferente. Sem puxar para si o mote explícito da dramaturgia, foi um dos conjuntos de rock brasileiro que mais soube se aproveitar dessa faceta. Seu vocalista, gerado artisticamente no grupo teatral Asdrúbal trouxe o trombone - expoente do teatro franco do besteirol oitentista -, exprimia em suas letras tudo o que era preciso dizer no momento daquele Brasil que se remodelava a forma democrática: NADA. Explico: a juventude da elite (odeio o termo mas ainda não encontrei outro), acostumada a cultuar gênios da composição vindos dos grandes festivais, como Caetano, Gil e Chico - que brilhantemente ousaram falar de tudo de maneira camuflada, ao mesmo tempo pontuais e subjetivos em seus jogos lingüísticos -, não precisava mais disso, e já estava ocupada essa lacuna. Então surgiu a Blitz, contando a história do caminhoneiro “Arlindo Orlando” e sua “Mariposa Apaixonada de Guadalupe”, de “Beth Frígida”, “A verdadeira história de Adão e Eva” e do rapaz que “sai caminhando sozinho de madrugada, com a mão no bolso, na rua”.

É de se entender a paixonite estraçalhada pelo Teatro Mágico. Assim como ocorreu com os bons malandros roqueiros da Blitz, eles representam um pouco da falta. Agora, é o saudosismo dos grandes versos, dos grandes festivais, dos grandes mitos (dos grandes... dos grandes de fato GRANDES?), saudade da vanguarda que não foi vista por eles.

De fato o Teatro é uma ótima banda. De um ótimo letrista e vocalista, super carismático por sinal. Um show muito bem produzido, uma proposta ousada e interessantíssima. Uma banda de muito respeito e... e... e... SÓ! Precisa de mais alguma coisa? É claro que não! É desnecessário considerá-los os deuses mitológicos da ressurreição dogmática da música popular brasileira! Mas, sim... Eles são realmente bons... E PONTO! Nada mais que isso...

De qualquer forma, sou bem mais o anti-canastrismo fanático por não ser canastrão (uau!) de “mais uma das manjadas histórias de amor que já aconteceu comigo, com você, com todo mundo: A história do cara que perdeu a gata e da gata que perdeu o cara”, do que “Sol e chuva, casamento de viúva... Chuva e sol, casamento de espanhol”.


ps.: Certa vez Caetano Veloso disse: "A BLITZ é uma disneylândia pop".
Sinceramente, eu não sei que diabos ele quis dizer com isso, mas... Legal, né?

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Ambos os sites são muito legais, tem bastante material para os fãs e aos desavisados:

http://www.blitzmania.com.br/

http://www.oteatromagico.mus.br

2 comentários:

Anônimo disse...

efegfewgfsdfsdf

Amanda disse...

Muito bom o texto, adorei !!!
Gosto muito da Blitz e é sempre bom ler sobre eles.